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terça-feira, 1 de maio de 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Confira matéria da visita da Chapa 1 à UFOPA
Marinalva Oliveira: “A conciliação de classes é um atraso para luta docente"
Esteve
em Santarém nesta sexta-feira, 20 de abril, a professora da Universidade
Federal do Amapá, Marinalva Oliveira, que disputa pela Chapa 1 a direção do
Sindicato Nacional dos Docentes das Intituições de Ensino Superior – ANDES.
Pela manhã, Marinalva ministrou uma palestra na Universidade Federal Oeste do
Pará (Ufopa), onde a princípio seria feito um debate com um representante desta
universidade, que na última hora avisou que não compareceria.
Marinalva
trouxe a caracterização do processo histórico de reconfiguração da universidade
brasileira a partir das orientações do Banco Mundial e que se estenderam numa série
de políticas educacionais nas últimas duas décadas.
Falando
para o movimento docente, a professora
fez várias intervenções em que correlacionou as precárias condições de trabalho na
Ufopa com as diretrizes emanadas pelos organismos internacionais e sua agenda
de mercantilização e desmonte da educação pública.
A
candidata ressaltou também como no
interior das Universidades os intelectuais acabam não se considerando
trabalhadores e não percebendo os mecanismos de cooperação com o Capital como
as fundações privadas, a substituição de técnicos administrativos por
estudantes sem qualquer direito trabalhista, formações curtas, professores com
grandes turmas de estudantes e dissociação do ensino da pesquisa e da extensão
foram destacados como exemplos e que foram sintetizados na frase “a conciliação de classes é um atraso para
luta docente e não existe conciliação de classes entre os trabalhadores e a
burguesia”.
Na
parte da tarde, Marinalva e o professor da Ufopa Enilson Souza, que também faz
parte da Chapa 1, estiveram reunidos com o Movimento Estudantil, entre os
quais, membros da Assembleia Nacional
dos Estudantes Livre (ANEL) e do DCE da Ufopa.
Matéria do blog
http://candidoneto.blogspot.com.br/2012/04/marinalva-oliveira-conciliacao-de.html
Visita Profa. Marinalva Oliveira na UFOPA em Santarém-Pa. Na foto com os Profs. Luiz Fernando França (sentido horário) - Presid. da
SINDUFOPA-S.SIND, Prof. Amadeu Farias (Secretário Geral da SINDUFOPA -
S. SIND.), Prof. Enilson da Silva (Vice-presidente da SINDUFOPA - S.
SIND), Profa. Marinalva Oliveira (Cadidata à Presidente do ANDES e aluno
da UFOPA, Hudson (Membro do DCE - UFOPA).
sexta-feira, 13 de abril de 2012
CSP-Conlutas entrevista Chapa 1
Marinalva Silva Oliveira apresenta proposta da Chapa 1, apoiada pela CSP-Conlutas, para as eleições do Andes-SN
12/04/2012
As eleições para a diretoria do Andes-SN (Sindicato Nacional dos
Docentes das Instituições do Ensino Superior), do biênio 2012-2014,
serão realizadas nos dias 8 e 9 de maio. Esse sindicato é filiado à
Central e tem sido referencia de independência do governo e de luta em
defesa da Educação e dos docentes em todo país.
Duas chapas se apresentaram para a eleição, mas somente a chapa 1
“ANDES – Trabalho Docente e Compromisso Social” apoiada pela
CSP-Conlutas foi homologada. A chapa 2 “ANDES-SN para os professores”
não atendeu todas as exigências para registro e, por isso, não disputará
a eleição.
A chapa 1 tem como presidente Marinalva Silva Oliveira,
professora da Universidade Federal do Amapá. Para conhecer um pouco mais
sobre as propostas da Chapa 1, a CSP-Conlutas entrevistou Marinalva que
apresentou suas opiniões, expectativas e proposta para a direção do
Andes-SN. Confira:
CSP Conlutas: Marinalva, você é candidata a presidente do ANDES-SN. Fale um pouco da realidade do trabalho docente.
Marinalva Silva Oliveira - A docência está vinculada
à possibilidade de transformação da sociedade, de reinventá-la e
reorganizá-la de uma forma mais justa, igualitária e solidária.
Entretanto, ao mesmo tempo, luta contra sua submissão ao sistema. Quando
se nega ao docente a possibilidade de tempo para pensar, este passa a
funcionar para o sistema reforçando as ideologias da classe dominante e,
consequentemente, o processo de subjugação do trabalhador.
O ensino superior no espaço privado há muito está nesta condição. No
âmbito público, as políticas utilizadas pelos sucessivos governos têm
gerado uma universidade de poucos recursos e elevada competitividade.
Isso tem conduzido a preocupações comparativas entre os docentes a um
ambiente competitivo e estressante e ao adoecimento docente. Os
docentes, então, não conseguem mais transformar nada, pois toda a
preocupação passa a ser parecer produtivo dentro do sistema adotado.
Abandona-se a lógica da transformação e passa-se a construir um ambiente
individualizado e auto-centrado onde não há tempo, espaço ou interesse
para pensar a sociedade e sua transformação.
Não podemos acatar essa condição, temos que voltar a ser capazes de
pensar o mundo, a realidade que nos cerca e de ter alguma possibilidade
de transformação social. A universidade humboldtiana, aquela que se
define pelo tripé ensino, pesquisa e extensão, como um lócus de resposta
aos anseios sociais não pode morrer, não podemos deixar. Precisamos não
nos tornar anacrônicos, precisamos ir além da lógica de preparar para o
mercado de trabalho, precisamos reconstruir a universidade como um
centro do pensar, para então, transformar a sociedade.
CSP Conlutas: O ANDES-SN acaba de
realizar um Congresso que teve como um dos centros a defesa da educação
pública. Como você vê o quadro da educação superior no Brasil e as
políticas do governo federal?
M.S - As políticas do governo federal estão
alinhadas com as políticas de organizações internacionais como FMI, BM e
OMC que tem como centro de seus interesses o capital e seus donos. Toda
a legislação e política adotadas visam entregar o sistema de educação
ao mercado, a partir de uma lógica liberalizante, ou seja, tornar a
educação um mecanismo rentável, muito rentável para os donos do capital.
Para isso o governo vem sistematicamente implodindo as universidades
públicas brasileiras. Reduz salários dos trabalhadores e trabalhadoras,
reduz recursos diretos às IES, aumenta o número de discentes sem aumento
proporcional de docentes e técnicos. Ao mesmo tempo incentiva a
iniciativa privada por meio de fomentos como Prouni e FIES, permite
cursos de curta duração, amplia a EaD, e amplia a abertura do sistema
educacional brasileiro ao capital internacional.
Sob esta lógica, a educação deixa de ser direito, vira mercadoria e
quem paga por ela somos nós a custa de endividamentos. A seguir o
caminho que o governo vem implementando, só terão acesso a instituições
de qualidade aqueles que fizerem empréstimos de longo prazo para bancar a
educação dos filhos, como se faz para comprar uma casa.
O ANDES-SN sempre defendeu e continuará defendendo a educação como
direito, o caderno 2 que atualizamos no 31º Congresso do sindicato é uma
mostra disso. Um ensino público, gratuito, autônomo, democrático, de
qualidade e socialmente referenciado que esteja a serviço da construção
de uma sociedade justa e igualitária é a nossa meta, e é, além da defesa
dos interesses da categoria, a razão de ser do ANDES Sindicato
Nacional.
CSP Conlutas: Como está a situação do registro sindical do ANDES?
M.S - O Estado tem adotado mecanismos de controle
sobre a organização dos trabalhadores e trabalhadoras com o objetivo de
retirar direitos dos (as) mesmos (as). O ANDES-SN tem representado
oposição a essas políticas e tem lutado arduamente na defesa destes
direitos. O governo, por sua vez, tem utilizado contra o ANDES-SN e
demais organizações que se lhe opõem, todas as ferramentas a sua
disposição, incluindo aquelas oriundas das mudanças implementadas a
partir da chamada reforma, ou como nós denominamos, contrarreforma
sindical.
Dentre os mecanismos utilizados pelo governo na tentativa de
fragilizar a ação dos opositores está o registro sindical,
reconhecimento legal para funcionamento de uma entidade sindical. O
ANDES-SN, por exemplo, viveu uma parte de sua história sem o registro
sindical, embora felizmente nossas ações tenham suplantado esse entrave
burocrático. Destaque-se que a tramitação da PEC 369, retomada no
parlamento, tende a aprofundar esses mecanismos de controle sobre as
entidades sindicais. Dessa forma, as ações quanto ao registro do
ANDES-SN ocorrerão nos âmbitos político e jurídico para garantir a
concepção sindical classista e autônoma. Ao mesmo tempo, precisamos
fazer uma ampla discussão com a base do sindicato e atuar junto com a
CSP-Conlutas e outras entidades denunciando os ataques e os objetivos
dos mesmos que tem como central a caça da liberdade e autonomia
sindical.
Em resumo, o governo tem buscado estabelecer controles rígidos,
impedir a liberdade sindical e aprofundar os ataques à capacidade de
organização sindical, especialmente contra entidades combativas como o
ANDES-SN. Esta é a razão pela qual o registro do ANDES-SN foi suspenso
pelo governo, mas isso não deterá os docentes, continuaremos mobilizando
para enfrentar a repressão às atividades sindicais da categoria. Vamos
resistir aos ataques ao nosso projeto e concepção sindical, pois a força
do ANDES deriva não da burocracia, mas dos docentes que o compõem e que
labutam na universidade diariamente.
CSP Conlutas: Marinalva, duas chapas se inscreveram para a eleição do ANDES-SN. Quais são os projetos em disputa?
M.S - Duas chapas se inscreveram, mas apenas a nossa
Chapa foi homologada, pois a outra Chapa não cumpriu as exigências
postas no Estatuto do ANDES e no Regimento Eleitoral.
Nós da Chapa 1 defendemos um sindicato livre, autônomo e combativo
que nos represente e que enfrente esse modelo de educação privativa.
Lutamos e lutaremos por uma universidade de qualidade, pública e
gratuita como política de estado. Uma educação em que o governo invista
de fato e não por meio de estratégias enganosas como os editais. Não é
possível ficarmos nos digladiando por escassos recursos lançados por
meio de editais, enquanto o governo prioriza os interesses do mercado.
Defendemos uma entidade classista cujo papel deve ser o de transformação
social para tornar a sociedade mais justa e igualitária.
CSP Conlutas: Como você vê as relações
do ANDES-SN com o processo de organização mais geral da classe
trabalhadora no Brasil e, em particular, a relação com a CSP Conlutas?
M.S - O processo de organização da classe
trabalhadora é central para o ANDES-SN, pois entendemos não ser possível
qualquer possibilidade de transformação social, a partir do interesse
dos trabalhadores, sem que haja a aglutinação da classe.
Lamentavelmente, com a política liberal e a cooptação sindical assumida
por um governo que cresceu por dentro dos sindicatos, a aglutinação está
fragilizada.
O ANDES-SN sempre assumiu como central o processo de organização dos
diferentes segmentos da classe trabalhadora, de modo que este tema é
presente nos nossos congressos e CONAD e em nossas ações cotidianas.
Temos nos esforçado para que a luta conjunta dos SPF [Servidores
Públicos Federais] ocorra, ocupamos espaços como a CNESF e estamos
construindo a CSP-Conlutas que é um instrumento novo e importante na
organização da classe trabalhadora.
O ANDES-SN participou ativamente da construção da CSP-Conlutas por
entender, após amplas discussões na base, que essa central é fundamental
no enfrentamento ao capital e em defesa dos interesses da classe
trabalhadora. Só através da unidade de diversos setores que tem enquanto
meta uma sociedade justa e igualitária, chegaremos à vitória. Assim,
precisamos da CSP-Conlutas como uma organização autônoma, independente e
combativa que nos permita enfrentar as condições de expropriação e
espoliação a que a classe trabalhadora vem sendo submetida. O ANDES-SN
filiou-se à CSP Conlutas, pois entende que ela é um polo agregador
absolutamente necessário para a reorganização da classe.
CSP Conlutas: De 27 a 30 de abril teremos o I Congresso Nacional da CSP- Conlutas, em Sumaré/SP. Como vai ser a participação do ANDES-SN?
M.S - O I Congresso da CSP Conlutas, que tem como
tema “Avançar na organização de base”, ocorre num momento ímpar para
fortalecermos essa entidade classista, democrática para avançar na
unidade da luta e na organização de base. Por isso o ANDES-SN participa
ativamente de todas as instâncias da CSP-Conlutas. No I Congresso
Nacional não será diferente, teremos delegados da diretoria nacional e
de seções sindicais cujos posicionamentos quanto às normas estatutárias,
organização, expansão e enraizamento da central buscarão tornar a
CSP-Conlutas ainda mais forte e atuante no cenário nacional.
CSP Conlutas: Você é professora no Amapá? O que diferencia a atuação de uma educadora nessa região do país?
M.S- Um colega do Amapá escreveu um artigo na
revista Universidade e Sociedade do ANDES-SN onde ele situava a nossa
instituição na periferia da periferia do capital. De fato, essa é a
condição em que nos situamos, estamos deslocados tanto no aspecto
geográfico quanto em relação ao centro das decisões. Toda política
educacional implementada no centro do sistema financeiro afeta o Brasil e
se expressa com mais força em instituições periféricas como aquelas que
estão no interior dos estados centrais ou nos estados mais distantes. O
Reuni, programa de reestruturação do governo para as universidades
federais, é um claro exemplo disso. A Unifap praticamente dobrou seu
número de alunos e cursos, mas a contrapartida em termos de melhorias
para a instituição é muito reduzida. Técnicos e docentes vivenciam
fortemente a superexploração e a queda de qualidade resultante da falta
de tempo para se dedicar aos detalhes da função. Por conseguinte, essa
falta de qualidade afeta os alunos e o próprio desenvolvimento da
região. Então, ser docente na periferia da periferia, significa ter que
ser ainda mais forte na luta contra o desmonte da universidade.
CSP Conlutas: Fale um pouco de você, quem é Marinalva Oliveira?
M.S- É muito difícil uma auto-definição, mas vamos
lá! Sou professora e pesquisadora com formação em nível de doutorado na
área de Psicologia na Universidade Federal do Amapá. Minhas pesquisas
estão centradas nos desafios da inclusão escolar e social de pessoas com
deficiência, de forma mais específica, crianças com síndrome de Down e
atuo na graduação e na pós-graduação. Iniciei no movimento sindical dos
bancários e posteriormente no SINDUFAP, seção sindical do ANDES-SN. Sou
mulher, mãe e trabalhadora dentro do sistema capitalista, portanto,
sofro todas as atrocidades que o mesmo nos traz, mas luto diariamente
para superá-las e sonho com outra universidade e sociedade. Uma
sociedade livre das opressões e das discriminações!
CSP Conlutas: Quer deixar algum recado para aqueles que acompanham a página da CSP Conlutas na internet?
M.S - Para o contínuo fortalecimento do ANDES-SN e
da CSP Conlutas, chamamos os professores e professoras de todo o país a
votarem nos dias 8 e 9 de maio na Chapa 1, Trabalho Docente e
Compromisso Social. As eleições são diretas, com urnas em todo
território nacional possibilitando a todos os sindicalizados e
sindicalizadas decidirem quem vai dirigir o Sindicato nos próximos dois
anos. Essa forma democrática como o ANDES-SN se organiza, ocorre não só
nas eleições, mas em todas as instâncias de deliberações através de
CONAD e Congressos. Por isso convidamos todos e todas a se envolver com o
contínuo fortalecimento do ANDES-SN votando em defesa da Universidade
pública e da valorização do trabalho docente! Por último, visitem nosso
blog e organize o comitê de campanha na sua universidade http://chapa1andes-sn.blogspot.com.br/.
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Programa da Chapa 1
sábado, 7 de abril de 2012
"Precarização do trabalho docente tem se agravado", afirma candidata à presidência do ANDES-SN
Candidata à presidência defende ANDES como protagonista
10/02/2012
Programada para os dias 8 e 9 de maio, a eleição para a direção do
ANDES-SN no biênio 2012 – 2014 será disputada entre duas chapas. A chapa
1 “ANDES - Trabalho Docente e Compromisso Social”, apresenta ao cargo
de presidente Marinalva Silva Oliveira (Universidade Federal do Amapá).
Marinalva concedeu entrevista à SEDUFSM, onde apresenta suas opiniões e
expectativas sobre o ANDES-SN. A entrevista na íntegra você confere
abaixo.
Pergunta - Qual a sua concepção em relação ao papel do ANDES-SN no movimento sindical?
Resposta - Um primeiro elemento a ser
destacado é o fato de que não expresso uma posição que é exclusivamente
minha, mas que reflete a construção de um conjunto de docentes que
defende uma nova universidade e uma nova sociedade, cujas conformações
estão expressas em documentos como o caderno 2 do Sindicato Nacional dos
Docentes das Instituições de Ensino Superior. Tratando especificamente
da questão, devo lembrar que o ANDES-SN, ao longo de seus trinta anos de
existência, tem desempenhado papel fundamental na defesa do ensino
público e gratuito e do trabalho docente, bem como na garantia de
direitos sociais que se articulam com os interesses e as lutas gerais
dos trabalhadores e trabalhadoras. No atual quadro conjuntural, o papel
do ANDES-SN está centrado em defender melhores condições de trabalho e
na valorização do trabalho docente em unidade com outros setores
autônomos e classistas. A precarização do trabalho docente tem se
agravado e tem se instituído uma política produtivista onde o professor e
a professora se vêem na obrigação de trabalhar além da sua carga
horária. As consequências disso são adoecimento e baixa autoestima, pois
tem decrescido a qualidade no ensino, pesquisa e extensão. Nesse
sentido, e para garantir os nossos direitos enquanto trabalhadores da
educação, o ANDES-SN tem significativo papel. Precisamos fortalecer a
nossa inserção junto à base, compreendendo e atuando para garantir a
valorização do trabalho docente com melhores condições de trabalho e uma
carreira e salários dignos. Para além destas questões, o ANDES-SN
sempre foi um protagonista na discussão dos mais variados temas que têm
relação com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária,
exatamente por isso, é um sindicato que se integra a outros sindicatos e
movimentos sociais e consolida suas posições em elaborações, como o já
citado caderno 2, que servem de referência para muitos lutadores e
lutadoras deste país.
P - De que forma pretendes dar continuidade na luta em defesa do registro sindical do ANDES-SN?
R - O Estado tem adotado mecanismos de
controle sobre a organização dos trabalhadores com o objetivo de retirar
direitos dos trabalhadores. O ANDES-SN tem representado oposição a
essas políticas e tem lutado arduamente na defesa destes direitos. O
governo, por sua vez, tem utilizado contra o ANDES-SN e demais
organizações que se opõem, todas as ferramentas a sua disposição,
incluindo aquelas oriundas das mudanças implementadas a partir da
chamada reforma, ou como nós denominamos, contrarreforma sindical.
Dentre os mecanismos utilizados pelo governo na tentativa de fragilizar a
ação dos opositores, está o registro sindical, reconhecimento legal
para funcionamento de uma entidade sindical. O ANDES-SN, por exemplo,
viveu uma parte de sua história sem o registro sindical, embora,
felizmente, nossas ações tenham suplantado esse entrave burocrático.
Destaque-se que a tramitação da PEC 369, retomada no parlamento, tende a
aprofundar esses mecanismos de controle sobre as entidades sindicais.
Dessa forma, as ações quanto ao registro do ANDES-SN ocorrerão nos
âmbitos político e jurídico para garantir a concepção sindical classista
e autônoma. Ao mesmo tempo precisamos fazer uma ampla discussão com a
base do sindicato e atuar junto com a CSP-Conlutas e outras entidades
denunciando os ataques e os objetivos dos mesmos que tem como central a
caça da liberdade e autonomia sindical.
P - Como avalias as dificuldades e quais as soluções que
podem ser buscadas em relação à expansão precarizada das universidades
federais?
R - Partimos do princípio que o ideal seria
que todas as pessoas interessadas em um curso universitário pudessem
cursá-lo e o fizessem com qualidade em uma instituição pública, autônoma
e com função social. Neste sentido, a expansão em si é algo bom, o
problema é que o governo implementa nas universidades um processo de
expansão sem qualidade e com precarização do trabalho docente. A
ampliação tem se dado através de um canto de sereia. O governo
apresentou o REUNI como uma panacéia aos problemas das IFES, mas
disponibilizou um volume exíguo de recursos com data certa para acabar e
voltados principalmente para infraestrutura. Assim, teremos nas
universidades um volume maior de prédios, cursos e alunos sem aumento de
orçamento. Se já tínhamos dificuldades de funcionar antes, o quadro
ficará pior depois do REUNI. Como a expansão de cursos e vagas para
alunos não é suprida pelas novas vagas de docentes e técnicos, essa
expansão tem significado queda na qualidade de vida e casos de
adoecimento físico e psicológico. O ANDES-SN estará nas lutas por
financiamento público estável e suficiente para que haja universalização
do acesso ao ensino superior por meio de IES que ofereçam educação
pública, gratuita, democrática, laica e de qualidade para todos como
direito social e dever do estado. Obviamente isso significa lutar por
condições adequadas das condições de trabalho docente, o que envolve
ampliação de vagas docentes, capacitação, seguridade, política salarial e
carreira.
P - De que forma o ANDES-SN deve atuar na relação com os demais servidores federais e também com o movimento estudantil?
R- O ANDES-SN tem atuado em unidade com os
servidores federais e o movimento estudantil, principalmente a partir da
CNSEF e da CSP-Conlutas. No ano de 2011 tivemos várias marchas à
Brasília em unidade com os servidores públicos federais e o movimento
estudantil, sendo que uma das consequências foi forçar a Ministra do
Planejamento a constituir uma mesa de negociação. Assim, temos que
intensificar as ações no interior da CNESF para fortalecê-la como espaço
organizativo de luta dos servidores. Com o movimento estudantil foi
significativa a unidade que ocorreu em 2011 em torno do Plebiscito dos
10% do PIB para a educação pública, já! Em conjunto com a ANEL e a
esquerda da Une conseguimos discutir e denunciar a política educacional
que tem sido implementada pelo governo Dilma. Estes e outros exemplos
vitoriosos a partir da unidade nos estimulam a seguir buscando esta
união com os SPF e o movimento estudantil como estratégia de resistência
à privatização da universidade pública e de defesa da qualidade na
educação.
P - Na questão da carreira, de que forma pretendes dar continuidade a essa luta do movimento docente?
R - Os docentes construíram por meio das
instâncias deliberativas do ANDES-SN uma proposta de carreira que foi
protocolada junto ao governo federal. Essa proposta sintetiza nossas
ideias sobre regime de trabalho, piso salarial da categoria, estrutura
de progressão, percentuais correspondentes à titulação, bem como a
defesa de que haja paridade e integralidade para os aposentados. A
diretoria atual do ANDES-SN está compondo um grupo de trabalho junto ao
governo federal onde defende este projeto de carreira única do ANDES-SN
construído a partir da base do sindicato. Participar desta mesa é uma
das ações na busca por implantar o projeto de carreira única dos
docentes tanto do magistério superior como do EBTT, mas todos os
mecanismos à disposição, como negociações, pressionar parlamentares,
paralisações, greves, marchas e mesmo ações jurídicas podem e serão
usadas na medida em que a categoria entender necessárias.
P - De que forma avalias a participação do Proifes no movimento docente?
R - O ANDES-SN historicamente defendeu a
unidade em detrimento da unicidade sindical. Na medida em que uma
entidade represente os interesses dos docentes, deve atuar em qualquer
instância onde a defesa desses interesses esteja em questão. Sob a
lógica da unidade, diferentes entidades, mesmo que difiram em suas
concepções, atuariam em conjunto para assegurar os direitos dos
trabalhadores docentes. Não há razão para defender um sindicato único
como determinação do estado, o sindicato deve ser o reflexo dos
interesses da categoria. Entretanto, o Proifes é uma entidade criada
para dar sustentação à política governista e não tem representação de
base. Nos processos de negociação, é instada pelo governo a estar na
mesa, enquanto entidades com lastro de base são preteridas. Com tal
conformação, esta organização não se enquadra como representante dos
interesses docentes, uma vez que nasceu e continua atrelada ao governo
participando dos ataques às entidades sindicais classistas e combativas
que fazem oposição às políticas governistas.
Entrevista concedida a Fritz Nunes
Foto: Fritz Nunes
Assessoria de Imprensa da SEDUFSM
Foto: Fritz Nunes
Assessoria de Imprensa da SEDUFSM
segunda-feira, 26 de março de 2012
Porque defendemos a Previdência Pública!
"Capital financeiro, capital portador de juros, capital produtivo, não são bons parceiros para cuidar da nossa velhice." Sara Granemass, Prof. da Escola de Serviço Social da UFRJ.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Programa Chapa 1
ANDES - TRABALHO DOCENTE E COMPROMISSO SOCIAL
O Programa da Chapa 1
“ANDES - TRABALHO DOCENTE E COMPROMISSO SOCIAL” é, ao mesmo tempo, um guia para
a ação e um compromisso público da chapa com a categoria dos/das docentes das
instituições de ensino superior do país, que, pela natureza de seu trabalho,
exerce papel relevante na sociedade. Elaborado em um contexto em que os
direitos sociais e, em especial a educação pública encontram-se sob severas
ameaças, em virtude do recrudescimento dos conhecidos ajustes fiscais e do
igualmente batido diagnóstico de que o Estado não poderia seguir provendo as
políticas públicas e que, por isso, privatizações e parcerias público-privadas seriam
a única alternativa possível diante da crise de enormes proporções que
transtorna o mundo. As intensas mobilizações sociais em defesa da universidade
pública na Itália, Portugal, Espanha, Inglaterra, França, Chile, estão
inscritas nesses conflitos.
Os cortes nos gastos públicos no Brasil, superiores a R$ 50 bilhões
em 2011, e mais recentemente, RS 55
bilhões no orçamento de 2012, atingindo também os ministérios da Educação, da
Saúde e de Ciência & Tecnologia, o irrisório reajuste de 4% para os
docentes das IFES, a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
(EBSERH), os “vazamentos” de que está sendo elaborada uma nova reforma na
previdência dos servidores públicos, ampliando a idade das aposentadorias e
rompendo com a paridade com os ativos, e os impasses nas “negociações” da nova carreira,
exemplificam as consequências desses ajustes na vida cotidiana dos professores.
A defesa da educação
pública no próximo biênio se dará em um ambiente hostil e, mais do que nunca,
somente com real mobilização e engajamento do conjunto de docentes será
possível garantir o dever do Estado na manutenção das instituições públicas.
Esta avaliação leva a Chapa 1 a compreender que o principal desafio do biênio será
o fortalecimento do diálogo do Andes-SN com o conjunto dos professores que, em
seu trabalho cotidiano, fazem a universidade brasileira. Somente assim será
possível revigorar o protagonismo da base do Sindicato Nacional na definição da
agenda da entidade e nas práticas políticas e acadêmicas por ela ensejada.
Coerente com esse objetivo,
a constituição da chapa foi amplamente discutida durante o 31o
Congresso do Andes-SN, realizado em Manaus, em reuniões plenárias plurais,
democráticas, abertas e com forte protagonismo dos delegados de base das seções
sindicais. Em reuniões regionais, os delegados dedicaram-se a discutir a
composição das secretarias regionais e, nas plenárias, foram deliberados os
nomes que melhor poderiam contribuir com o trabalho da direção nacional do
Sindicato. Resultou desse processo uma chapa comprometida com o propósito de
fortalecer a participação do conjunto dos professores na vida política do
Andes-SN objetivando assegurar melhores condições para enfrentar, com êxito, as
adversidades da conjuntura e, notadamente, da crise estrutural, da qual o
Brasil não está à margem.
Frente à expansão precarizada
das redes federal e estaduais, à crescente regulação pela CAPES das atividades
na pós-graduação e às mudanças nas políticas de ciência e tecnologia, cada vez
mais subordinadas à Lei de Inovação Tecnológica, as condições de trabalho
docente perpassam a totalidade do programa. Em todas as reuniões do movimento
docente – e mesmo nos fóruns institucionais das universidades – são recorrentes
as inquietações dos professores quanto à perda relativa de poder aquisitivo dos
salários; às mudanças casuísticas na carreira; às nuvens cinzas que envolvem a
aposentadoria; à inédita intensificação do trabalho, em virtude do aumento
quase que exponencial do número de estudantes por turma, repercutindo nas
orientações da graduação e da pós-graduação, e às redefinições do próprio fazer
docente, por meio de critérios “produtivistas” impostos pelas agências de
fomento, por editais cada vez mais dirigidos a fins mercantis e particularistas
e pela corrida desenfreada rumo a um produtivismo estéril.
As grandes tendências verificadas
na última década, como o crescimento do setor privado-mercantil, impulsionado
pelas políticas governamentais (PROUNI, FIES), a redefinição da função social
da universidade como organização de serviços, amparada na referida Lei de
Inovação Tecnológica, e a expansão de vagas em cursos “minimalistas”, não
propriamente universitários, referenciados no Processo de Bolonha e no modelo
dos community colleges, como o projeto original do REUNI e dos IFET,
conforme o projeto de lei do Plano Nacional de Educação (PNE), seguirão como
políticas prioritárias para o próximo biênio. A reversão desse quadro, conforme
a avaliação coletiva dos professores no Congresso do Andes-SN, exige tomar a
defesa da educação pública em todos os níveis como o eixo central das lutas do
presente.
Estão em curso iniciativas
muito fecundas, tais como a recente campanha em prol da garantia de 10% do PIB
para a educação pública, os fóruns de luta em defesa dos hospitais
universitários, contra as EBSERH, o ciclo de lutas pelo piso salarial dos
professores da educação básica e, mesmo, a luta pela educação pública no Chile
e nos países europeus transtornados pela crise. Esses exemplos corroboram a
possibilidade de construir um grande movimento pela educação pública no país no
próximo biênio. As universidades, por serem espaços potencialmente capazes de
tornar pensáveis os grandes problemas dos povos, estarão desafiadas a
contribuir, de modo original, com essas lutas.
Considerando a especificidade
do Andes-SN, um sindicato dos docentes das instituições de ensino superior, a
Chapa 1 está vigorosamente comprometida com os seguintes itens programáticos:
1. Fortalecer as
iniciativas em defesa da educação pública, objetivando marcar o biênio
com grandes jornadas de luta. Em 2012, o Congresso irá votar o novo PNE que
consolida a mercantilização da educação como política de Estado. Um PNE
alternativo, capaz de revigorar a educação pública, somente será possível com
ações de dimensão nacional, contando com a participação de professores do
ensino superior, da educação básica, estudantes, trabalhadores da educação,
demais entidades sindicais e movimentos sociais, em conjunto com entidades
acadêmicas, por meio de atos públicos de grande alcance. Somente assim o
Congresso pode se ver compelido a apoiar a causa da educação pública,
assegurando, desde já, 10% do PIB exclusivamente para a educação pública.
2. Lutar pela garantia da Carreira
Única do Andes-SN – e de sua malha salarial – no setor das Federais, incluindo, na nova
carreira, todos os docentes das atuais carreiras do PUCRCE (educação básica e
superior) no Regime Jurídico Único, mobilizando intensamente os docentes
para que essa conquista seja alcançada de modo pleno no biênio.
Simultaneamente, trabalhar para que os demais setores convirjam na defesa da
carreira do Sindicato Nacional, de modo que a carreira seja o elemento de
polarização do movimento docente frente aos governos Federal e estaduais e, no
caso das particulares, aos patrões.
3. Promover
o fortalecimento do ANDES-SN através da intensificação do trabalho de base.
4. Lutar por salários dignos para todos os docentes,
ativos e aposentados, estendendo os reajustes aos pensionistas, tendo como
referencia a malha salarial articulada a proposta de carreira única do Andes-SN
do setor das federais.
5. Lutar pela melhoria das
condições de trabalho e de saúde do trabalhador docente;
6. Lutar por políticas de
Ciência e Tecnologia que garantam a ampliação e democratização da distribuição
de recursos, tendo como base a autonomia universitária e a produção de
conhecimento socialmente referenciado, combatendo o produtivismo acadêmico e
seus impactos nas condições de trabalho dos docentes.
7. Lutar pela ampliação
das verbas das Instituições de Ensino Superior públicas, combatendo os
contratos de gestão característicos do Plano Diretor da Reforma do Estado, como
as metas estabelecidas no REUNI, as medidas que objetivam diversificar as
fontes de custeio das instituições por meio de taxas estudantis e venda de
serviços e, também, das verbas orçamentárias para os órgãos de fomento à
pesquisa.
8. Defender a manutenção
dos hospitais universitários no âmbito das universidades, com a garantia
de recursos públicos para a sua manutenção e desenvolvimento, combatendo a
conversão dos mesmos em Empresa
Brasileira de
Serviços Hospitalares (EBSERH) com
personalidade jurídica de direito privado.
9.
Defender a manutenção dos CEFETs na estrutura da SESu-MEC, entendidos
como Instituições Federais de Ensino Superior autonômas e referenciadas no
princípio da indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão; combater
qualquer política de desmembramento dos colégios de aplicação das universidades
federais.
10. Lutar pela alteração/criação de
instrumentos legais nas esferas estaduais e municipais que assegurem percentual
orçamentário, com vistas a garantir recursos adequados às IEES/IMES públicas.
11. Constituir Coordenação Executiva
para articular proposta nacional de unificação dos planos de carreira dos
docentes das IEES/IMES, bem como de suas campanhas salariais.
12. Lutar pela universalização
do acesso à educação superior universitária pública a todos os estudantes
que almejem prosseguir os seus estudos, com proporcional ampliação das verbas e
do quadro docente.
13. Perseverar na luta em defesa
da previdência social pública, por meio do regime de repartição, garantindo
a todos os professores aposentadoria com proventos integrais e isonômicos entre
ativos e aposentados.
14. Democratizar a gestão
das IES, em particular pela escolha dos
dirigentes pelo conjunto da comunidade universitária, sem interferências
externas e tornando os conselhos mais abertos ao feixe de interesses
compartilhados entre os docentes, os técnicos e administrativos e os
estudantes;
15. Defender
intransigentemente a indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a
extensão nas universidades e em prol da autonomia universitária como
norma auto aplicada, bastante em si, nos termos do Art. 207 da Constituição
Federal e do Projeto Andes-SN para a Universidade Brasileira (Caderno 2 e suas atualizações).
16. Lutar pelo direito de organização
sindical nas Instituições Privadas de Ensino, defesa intransigente dos
dirigentes dessas seções sindicais e luta pela expansão do Sindicato Nacional
nessas instituições.
17. Defender, intransigentemente o ANDES-SN enquanto legítimo
representante dos docentes das Instituições de Ensino Superior, fortalecendo e
expandido sua inserção nas instituições de ensino.
18. Lutar pelo legítimo registro
sindical do Andes-SN, nos termos de seu Estatuto, como parte do
fortalecimento do pleno exercício sindical dos trabalhadores do serviço
público.
19. Buscar a unidade de todos os setores que lutam
pela educação pública e por uma sociedade livre da barbárie imposta pelo
capital, fortalecendo a CSP-Conlutas e as iniciativas que objetivam consolidar
um polo de lutas unitário, democrático e comprometido com a emancipação dos que
vivem do próprio trabalho e são explorados.
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